SÍNDROME DE ZOLLINGER-ELLISON.

Este palavrão difícil de pronunciar diz respeito a uma doença pouco comum, mas quando o médico se defronta com ela é preciso reconhecê-la, pois tem tratamento e pode ser curada.
Trata-se de uma enfermidade que reflete-se muito no estômago e intestinos, causando múltiplas úlceras e diarréia crônica.

Em 1955 Robert M. Zollinger e Edwin H. Ellison, cirurgiões de Columbus , Ohio (Estados Unidos da América) publicaram um artigo relatando múltiplas úlceras no estômago e duodeno, associadas á presença de um tumor no Pâncreas (Gastrinoma).
Esta doença passou então a ser conhecida como a Síndrome de Zollinger-Ellison.
Desconfia-se desta síndrome quando uma úlcera péptica é recorrente  ou é múltipla e quase sempre vem acompanhada de diarréia crônica.
Seu diagnóstico é feito através de endoscopia digestiva alta, ecoendoscopia (ultrassom por endoscopia), ressonância nuclear magnética, tomografia computorizada, PET-CT, mapeamento de receptores da somatostatina (exame de Medicina Nuclear), dosagem da gastrina no sangue, dosagem da acidez gástrica (pHmetria durante endoscopia).
A Síndrome de Zollinger-Ellison (ZES) ou hipergastrinemia é um distúrbio endócrino caracterizado por níveis aumentados do hormônio gastrina, fazendo com que o estômago produza ácido gástrico em excesso. Uma das consequências da acidez aumentada é a formação de úlceras pépticas em 95% dos pacientes. Geralmente é causada por um tumor (gastrinoma) localizado no duodeno ou pâncreas e produtor de gastrina.
O Gastrinoma é um tumor neuroendócrino que  pode ser de crescimento lento (benigno) de pequeno volume, mas muito potente na produção da gastrina ou de crescimento rápido e metastatizante (maligno), espalhando células principalmente para o fígado.
O tratamento de eleição é a retirada cirúrgica do gastrinoma, que pode ser encontrado no Pâncreas, parede do Duodeno ou até nas proximidades (estômago, jejuno). Sua localização é detectada através dos exames de imagem listados acima. Sua dimensão costuma ser menor que 1 cm.
Quando não é possível ressecá-lo, trata-se com Quimioterapia e drogas inibidoras da produção de ácido clorídrico pelo estômago (Omeprazol, Pantoprazol, Esomeprazol, Ranitidina, Cimetidina, Famotidina) e Octreotide (principalmente para alívio da diarréia). Também, pode-se utilizar a Radiofrequência como outra modalidade de tratamento, nos tumores irressecáveis.
Casos com extremo sangramento podem ser tratados também com Somatostatina ou análogos, por via endovenosa (geralmente em UTI enquanto o paciente espera o tratamento cirúrgico).
 

Autor:

Dr. Delmas Roldão Robert Pires
Cirurgião Oncológico
Hospital Samaritano – São Paulo

Fontes:

1) Ann Surg. 1955 Oct; 142(4): 709–723.
PMCID: PMC1465210
Primary Peptic Ulcerations of the Jejunum Associated with Islet Cell Tumors of the Pancreas *
Robert M. Zollinger and Edwin H. Ellison
2) Site do A.C. Camargo Cancer Center
3) Site do INCA

Compartilhe