OS TUMORES OCULARES MAIS PREVALENTES NA POPULAÇÃO.

Os tumores oculares mais comuns na oftalmologia são: carcinoma de conjuntiva, melanoma de coróide e retinoblastoma. O conhecimento dos sinais e sintomas é de suma importância para diagnóstico e tratamento precoces, alterando o prognóstico visual e a sobrevida dos pacientes. A evolução no tratamento, para a maioria dos casos, evoluiu bastante ao longo dos anos.

Conjuntiva é a membrana transparente que revesta a parte branca do olho (esclera) e córnea é a parte central transparente. A neoplasia escamosa de superfície ocular (NESO) é a mais frequente na conjuntiva e na córnea e inclui desde a lesão intraepitelial de conjuntiva (NIC), mais superficial, até o carcinoma epidermóide de conjuntiva, mais profunda. Sua incidência é de aproximadamente 1,9 casos por 100.000 pessoas/ano. É mais comum em homens, brancos, de 40 a 60 anos, com alta exposição ao sol (UVB) ao longo da vida, alguns vírus (HIV e HPV) ou outros possíveis fatores como fumaça de cigarro e derivados de petróleo (gasolina, diesel). Inicia-se como uma lesão corneana e/ou conjuntival em placa ou nódulo (Fig1.), unilateral, mais frequentemente localizada em limbo (limite entre esclera e córnea), associada a olho vermelho e secretivo, facilmente percebida pelo paciente. Por ser pouco agressivo (exceto a variante mucoepidermóide), a remoção da lesão, associada ou não a tratamento adjuvante (quimioterapia tópica, crioterapia, radiação), é curativa. As recidivas (recaídas) são frequentes, mesmo com margens livres, e tratadas da mesma forma, com remoção da lesão. Por isso, necessita de acompanhamento periódico, recomendando-se 3 em 3 meses no 1º ano, 6 em 6 meses no 2º ano e anualmente a partir de então.  Raramente há metástases, que são: intraocular, orbitária e de linfonodos (pré-auriculares, submandibulares e cervicais).

 

Coróide é a parte colorida entre a esclera e a retina, contendo vasos sanguíneos. Melanoma de coróide é o tumor maligno primário intraocular mais comum em adultos (4,3 a 6 casos: 1.000.000 de pessoas). É mais comum em homens, brancos, de idade avançada (acima de 50 anos) e é unilateral. Raro em negros e asiáticos. A exposição solar como fator de risco ainda é bem controverso. Sabe-se que melanoses congênitas e nevos são lesões predisponentes. Possui três variedades histológicas, em ordem de malignidade: fusiformes, misto e epitelióide, sendo esta última a de maior incidência de metástase. Metástases ocorrem por via hematogênica (sanguínea) e o principal alvo é o fígado. Os tumores mais posteriores tendem a ser descobertos mais precocemente por causarem diminuição da visão e “moscas volantes”. Alguns referem dor e fotopsias (visualização de flashes de luz), já outros são assintomáticos. É uma lesão arredondada, majoritariamente pigmentada, discretamente irregular, em forma de “cogumelo” (Fig2.). A ultrassonografia ocular é de fundamental importância no diagnóstico. Nenhuma opção terapêutica garante a cura da doença. Os pacientes precisam ser acompanhados regularmente por, no mínimo, 10 anos do diagnóstico, pois podem dar metástase durante esse período. Pacientes com metástase têm tempo médio de sobrevida menor que um ano. O olho afetado pode ser observado (quando tamanho do tumor < 2,5 mm de espessura e 10 mm de largura) ou tratado de forma conservadora (com braquiterapia, a mais utilizada) ou ainda cirurgicamente (ressecção local, enucleação –retirada do globo ocular- ou exenteração – retirada do globo ocular e das estruturas adjacentes). Atualmente, a enucleação do olho é controversa, pois não altera sobremaneira a sobrevida. A sobrevida em 05 anos após enucleação varia de 16% a 53%, dependendo do tamanho do tumor e 90% das mortes relacionadas ao tumor ocorrem nos primeiros 15 anos.

 

À fundoscopia, evidencia-se massa branco-amarelada, frequentemente associada à calcificação (Fig4). A ecografia comprova a presença do tumor e exames de imagem (TC ou RNM) são mandatórios para avaliar invasão ao nervo óptico ou tecidos orbitários e afastar o pinealoblastoma. Preferir RNM pela não exposição à radiação. No passado, a enucleação era o único tratamento eficaz. Hoje, é usado para lesões avançadas ou quando o tratamento primário é ineficaz. Atualmente, é proposto um protocolo de quimiorredução com Carboplatina, Etoposide e Vincristina (regime VEC), objetivando preservar o bulbo ocular e a acuidade visual, seguido de tratamento local , levando em consideração o tamanho e a localização. Entre eles, placa radioativa, crioterapia, termoterapia, e fotocoagulação. A maior frequência de recorrência ocorre nos 03 primeiros anos após diagnóstico, sendo rara após 05 anos.

 

 

Autor:

Dr. Mário Ursulino (Hospital de Olhos de Sergipe - HOS)
Dra Viviane Cardoso (Hospital de Olhos de Sergipe - HOS)

Fontes:

Referências:
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