IMPACTO DOS GASTOS PÚBLICOS PARA O CÂNCER DO COLO UTERINO.

O câncer de colo do útero é a segunda neoplasia maligna ginecológica mais frequente em mulheres e para seu diagnóstico, tratamento e seguimento, são gastos altos valores dos cofres públicos.

O câncer cervical é um importante problema de saúde pública, sendo o terceiro mais frequente e a quarta causa de mortalidade em mulheres no Brasil. Apresenta incidência anual de 16.340 casos e taxa de mortalidade de 4,86 casos por 100.000 mulheres (BARCELOS et al, 2017; GANDRA et al, 2017). No Nordeste, ocorreram 5.630 casos novos, o que representa 10,3% do total de casos (INCA, 2016/2017). 
 
O câncer cervical acomete com mais frequência mulheres em faixa etária economicamente ativa, com a incidência maior entre 45 e 49 anos. O vírus do papiloma humano (HPV) é responsável por mais de 99% dos casos de câncer de colo uterino, considerado fator determinante para esta neoplasia (KELLY et al, 2017). Outros fatores de risco associados ao câncer do colo uterino são: início precoce da vida sexual, multiplicidade de parceiros sexuais, multiparidade, tabagismo, hábitos de higiene precários, subnutrição e difícil acesso aos serviços de saúde. Tais fatores de risco corroboram para que a lesão seja duas vezes mais frequente em países subdesenvolvidos (BRONOWICKA; LIANERI; JAGODZÌNKI, 2016; GANDRA ET AL, 2017).
 
Inicialmente, as pacientes são assintomáticas, podendo mais tarde apresentarem sangramento vaginal anormal e secreção vaginal que pode ser líquida, mucosa, com odor fétido ou purulenta (CHABNER; LONGO, 2015).
 
Para prevenir o câncer do colo uterino é necessário medidas sócio-educativas, tais como: educação sexual, diagnóstico precoce de lesões precursoras e tratamento, promoção no uso de preservativo e  vacinação contra HPV em meninos de 11 a 15 anos e em meninas de 9 a 15 anos.
 
O diagnóstico do câncer do colo uterino é feito através da anamnese, exame físico e exame histopatológico da lesão.
 
O estadiamento é realizado clinicamente, baseando-se nos exames físico e de imagens (INCA, 2016; FIGO, 2009).
 
O tratamento do câncer de colo uterino é determinado pelo estadiamento do mesmo, podendo ser cirúrgico ou radioterapia/quimioterapia (INCA, 2010).
 
Todos os dados de atendimento no país referente às pacientes com câncer do colo uterino no SUS, são registrados no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) que foi criado com o intuito de informatizar as atividades do SUS (DATASUS, 2017). Outra base fornecida pelo DATASUS é o Sistema de Informação Hospitalar (SIH) que contém dados de todos os atendimentos provenientes de internações hospitalares que foram financiados pelo governo, além de detalhamento do tipo de internação e do diagnóstico (DATASUS, 2017).
 
Analisando os dados desta plataforma, verificou-se significativos valores  gastos com o diagnóstico, tratamento e seguimento do câncer do colo uterino (Tabelas 1 e 2).
 
Tabela 1: Valor dos serviços hospitalares por Câncer do colo uterino por Região/Unidade da Federação. Período: 2012-2017

 

Tabela 2: Valor dos serviços médicos por prestação de serviços a pacientes com Câncer do colo uterino por Região/Unidade da Federação. Período: 2012-2017

Avaliando os gastos, vê-se enormes cifras provenientes dos cofres públicos para pagamento hospitalar e médico envolvidos no diagnóstico, tratamento e seguimento das pacientes com câncer do colo do útero. Observa-se ainda, que os valores são crescentes nos útimos 5 anos analisados. Os valores mais altos foram encontrados na região nordeste. No entanto, esses valores poderiam decrescer a partir do momento em que ocorrerem mais atividades de incentivo à prevenção desta neoplasia, com tratamento e seguimento das lesões precursoras, ampliação das vacinas para o HPV em todo o país. 
 

Autor:

Marina de Padua Nogueira Menezes
 
Gabriella Dória Monteiro Cardoso

Fontes:
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